Quando a aprovação das pessoas se torna mais importante que a aprovação de Deus
“Então Saul confessou a Samuel: ‘Pequei! Desobedeci à ordem do Senhor e às suas instruções, pois tive medo do povo e fiz o que eles exigiram.’”
1 Samuel 15:24
O rei Saul recebeu de Deus uma ordem clara: deveria destruir completamente os amalequitas e tudo o que lhes pertencia. Porém, Saul decidiu preservar o rei Agague e os melhores animais. Quando Samuel o confrontou, Saul tentou justificar sua atitude dizendo que os animais haviam sido poupados para serem oferecidos em sacrifício ao Senhor.
Entretanto, Samuel mostrou que nenhuma oferta substitui a obediência:
“Obedecer é melhor que sacrificar, e submeter-se é melhor que oferecer a gordura de carneiros.”
1 Samuel 15:22
O problema de Saul não foi apenas ter desobedecido a uma ordem. Seu coração estava excessivamente preocupado com a opinião das pessoas. Ele mesmo confessou: “Tive medo do povo e fiz o que eles exigiram.”
Saul queria continuar parecendo honrado diante da nação. Mesmo depois de ser confrontado, pediu a Samuel:
“Pequei, mas, por favor, honre-me diante das autoridades do meu povo e diante de Israel.”
1 Samuel 15:30
Essa declaração revela que Saul ainda estava mais preocupado com sua imagem pública do que com sua condição espiritual. Ele desejava manter sua honra diante das pessoas, mesmo tendo perdido a aprovação de Deus.
Como consequência de sua desobediência persistente, o reino foi tirado de suas mãos. Mais adiante, a Bíblia declara:
“O Espírito do Senhor se afastou de Saul.”
1 Samuel 16:14
Saul continuava usando a coroa, permanecia no palácio e ainda era chamado de rei, mas já havia perdido aquilo que realmente sustentava sua posição: a presença, a direção e a aprovação do Senhor.
A história de Saul nos ensina que o desejo por reconhecimento humano pode nos afastar silenciosamente do propósito de Deus.
Isso também pode acontecer dentro da igreja. Podemos começar servindo com sinceridade, mas, aos poucos, passar a esperar elogios, agradecimentos, visibilidade e reconhecimento. Quando ninguém percebe nosso esforço, ficamos frustrados. Quando outra pessoa é escolhida, sentimo-nos rejeitados. Quando não recebemos o destaque que esperávamos, pensamos em abandonar o ministério.
Entretanto, quando o serviço é verdadeiramente oferecido ao Senhor, a ausência de aplausos não diminui o nosso compromisso.
Nem sempre as pessoas perceberão o que fazemos. Nem sempre agradecerão pelas horas dedicadas, pelas orações feitas em secreto, pelos ensaios, pelas preparações, pelo cuidado com os outros e pelos sacrifícios que ninguém vê. Algumas vezes, poderão até interpretar mal nossas intenções ou valorizar outra pessoa em nosso lugar.
Mas Jesus vê tudo.
Ele vê o serviço que acontece longe dos olhos humanos. Ele conhece nossa motivação, nossas renúncias, nosso cansaço e nossa fidelidade. A recompensa mais importante não vem de um cargo, de uma homenagem, de uma plataforma ou do reconhecimento das pessoas. Ela vem do Senhor.
O problema não está em receber um elogio ou ser honrado. A própria Bíblia ensina que devemos honrar uns aos outros. O perigo está em depender dessa honra para continuar servindo.
Quando servimos esperando reconhecimento humano, colocamos nossa alegria nas mãos das pessoas. Se elas elogiam, ficamos animados; se não elogiam, desanimamos. Se somos lembrados, permanecemos; se somos esquecidos, pensamos em desistir.
Mas quem serve para Jesus não precisa ser visto por todos. Precisa apenas permanecer fiel diante daquele que vê todas as coisas.
Nosso coração deve declarar:
“Mesmo que ninguém reconheça, continuaremos servindo, porque não fazemos para pessoas; fazemos para Jesus.”
A igreja não é um palco para construirmos nossa imagem. É um lugar de serviço, entrega, humildade e obediência. O ministério não existe para alimentar nossa necessidade de aprovação, nem para buscarmos realização pessoal, ele existe para glorificar a Cristo e servir às pessoas.
Precisamos examinar sinceramente as motivações do nosso coração.
Estamos servindo porque amamos a Deus ou porque desejamos ser reconhecidos?
Continuamos com a mesma dedicação quando ninguém elogia?
Ficamos incomodados quando outra pessoa recebe uma oportunidade que gostaríamos de receber?
Nossa fidelidade depende de sermos vistos, lembrados ou honrados?
Saul desejou preservar sua honra diante do povo, mas perdeu algo muito maior: a aprovação de Deus. Isso nos mostra que não vale a pena comprometer nossa obediência para manter uma aparência diante das pessoas.
É melhor ser desconhecido pelos homens e conhecido por Deus do que ser aplaudido por uma multidão e estar distante da vontade do Senhor.
Que nossa maior preocupação não seja ouvir elogios humanos, mas, no final de nossa caminhada, ouvir Jesus dizer:
“Muito bem, servo bom e fiel.”
Senhor, nós reconhecemos que, muitas vezes, nosso coração deseja a aprovação, a honra e o reconhecimento das pessoas. Perdoa-nos quando servimos esperando elogios, destaque ou recompensas humanas.
Purifica nossas motivações e ensina-nos a fazer tudo para a tua glória. Que não sejamos dominados pelo medo da opinião das pessoas, como aconteceu com Saul, mas permaneçamos firmes em obediecer à tua voz.
Ajuda-nos a servir com humildade, fidelidade e alegria, mesmo quando ninguém perceber nosso esforço. Que a nossa satisfação esteja em saber que Jesus nos vê, nos conhece e recebe aquilo que fazemos com amor.
Livra-nos da comparação, da competição e da necessidade de sermos reconhecidos. Que diminuamos para que Cristo cresça em nós e através de nós.
Desejamos viver para a tua aprovação e, acima de qualquer aplauso humano, ouvir de ti: “Muito bem, servos bons e fiéis.”
Em nome de Jesus, amém.



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